segunda-feira, 17 de setembro de 2012

POLÍTICA - sob a ótica do Acadêmico de Medicina Hiago Jácome


Copiado do blog de Novanês Oliveira


Hiago Jácome (imagem cedida)

Como cidadão, sou totalmente ciente do livre arbítrio que temos para defender alguma corrente política, filosófica, sociológica etc. Assim, posso inferir que todos têm o direito de ser partidaristas ou não. Há aqueles que digam que “o homem que não gosta de política é governado por aquele que gosta” e eu concordo.
Bertolt Brecht escreveu o seguinte texto:
“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”
Também devo concordar com as palavras de Bertolt Brecht, mas com uma ressalva: em suas palavras, ele se refere à população que critica a política (chegando a dizer que “a odeia”), porém, é necessário questionar de que política se está falando. Se for a política tão discutida por grandes nomes como Platão e Maquiavel, devo concordar plenamente. Mas, se a política a que o texto se refere, que a população “estufa o peito para dizer que a odeia”, se referir à política que é feita atualmente, devo discordar do citado autor. Além do que, hoje a política anda longe do horizonte que consigo avistar. O que consigo ver, na verdade, não chama-se política, mas simpoliticagem. Isso mesmo: possui a mesma equivalência entre popularidade epopulismo.
Escrevo estas palavras (chegando a pedir desculpas se as mesmas não mostram uma linha de raciocínio muito bem definido) por que não sinto vergonha de dizer que sou alheio a este tipo de política que é feita hoje em nosso país. Não posso dizer que não gosto de política, mas posso dizer que não me enquadro no modo como ela é feita hoje. E por isso prefiro afastar-me de qualquer movimento político. Quanto ao partidarismo, como dito no início do texto, sou a favor do mesmo, baseado nos preceitos do livre arbítrio, mas também sou a favor de abster-se. Gostaria de esclarecer que é óbvio que as coisas que acabei de falar são direitos de qualquer cidadão, mas estou tentando mostrar os motivos de escolher determinada posição, caso tal atitude seja questionada.
Com uma trajetória de vida ainda breve, mas repleta de experiências, devo dizer que já conheci várias pessoas, bem como seus valores, pessoas estas com personalidades bem definidas, que não se subjugam a qualquer pessoa ou coisa etc. Porém, fico perplexo quando chega o período eleitoral, principalmente as eleições em que se pleiteiam vagas às prefeituras e às câmaras municipais, momento este em que várias das ditas pessoas, que sempre mostraram bastante personalidade, se submetem a um tipo de política de guerra. Pelo menos a nível de Brasil, posso dizer que não estamos mais nos tempos bélicos de tempos atrás, principalmente tratando-se de “simples” eleições municipais.
A verdade é que o ser humano sempre está vulnerável a receber estímulos fortes nas suas vidas. E os principais estímulos recebidos por este são o sentimento de rivalidade, de vitória, de conquista. Isso é biológico, gera prazer. O ser humano cria mitos, cria ídolos, cria heróis, cria rivais inexistentes, lutas sem motivo algum. Os homens precisam disso em suas vidas. É o que os estimula. Ficam sedentos por ganhar algo como se estivessem no Coliseu de Roma gritando por sangue. Na verdade, com estas palavras, quero convergir para um ponto em que pessoas de uma cidade pequena, em período eleitoral, travam uma verdadeira batalha, repleta de baixarias, indiretas e impropérios contra pessoas com as quais até pouco tempo conviviam normalmente e que, por um motivo dito “político”, tornam-se inimigos. As pessoas com as personalidades bem definidas a que me referi me decepcionam quando postam coisas em redes sociais, blogs e outros meios de comunicação, atingindo, ou melhor, denegrindo o outro lado. É preciso uma discussão séria, reconhecendo pontos positivos e negativos e não uma luta de ver quem mais atinge quem. É preciso discussão política e não essas discussões sem fundamento, sem motivo. Parecem os soldados ingleses e franceses da Guerra dos Cem Anos, que, em determinado ponto, não sabiam nem mais pelo que estavam lutando.
É necessário um referencial, algum elemento norteador. Mas enquanto existir essa política atual, isto é, a politicagem, essas pessoas sempre ficarão cegas, como se fossem um exército de zumbis, comandados ao menor sinal. Faço uma analogia com garotos mais velhos colocando garotos mais novos para brigar, quando na verdade não existe motivo real algum. É apenas a velha diversão. No caso da política, ao invés da diversão, os lados políticos utilizam-se dessa guerra entre a população para fortalecer suas campanhas.
Como disse no início e no meio do texto, o partidarismo está aí. Assumam seus lados quem quiserem, mas não assuma nenhum quem não quiser também. E devo dizer que, enquanto prevalecer essa política suja de hoje (a qual muitos ficam deslumbrados, vidrados, ora, é motivo de festa), prevalecerei um simples analfabeto político, de acordo com Bertolt Brecht, ou um simples consciente político, de acordo com minha própria opinião.
Política é bem mais que isso! Isso....é um jogo de xadrez só com peões (e peões vendados). E os peões, infelizmente, são a população!
Hiago Jácome


Acadêmico do 4º Período do Curso de Medicina da Faculdade de Ciências
da Saúde (FACS) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)
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Turma de Medicina da UERN 2010.2 - 2016.1

2 comentários:

  1. Lendo e refletindo as sábias palavras do meu querido primo Hiago Jácome a quem tenho profunda admiração, vejo realmente que política infelizmente é cheia de impropérios e que esses jargões ferem a democracia e o direito de expressar uma política em circunstância sólida e centrada. Aprendi durante o período que vivo nesse planeta que hipocrisia é a palavra chave da velha política suja a chamada "viva de aparências", viver de aparências é o modo mais equivocado de um ser humano perante a seus iguais e pior ainda é usar este pobre artifício e querer ser Deus a custa de incovivios sociais gerando desconforto e imaturaridade ao modo que se fala como pensa.

    Em meados deste século atual vejo alguma tentativa mas quase nada progrediu, quer dizer ainda mantemos o velho pensamento de que política é uma guerra disputando quem tem o poder isto é um assassinato a democracia, que democracia? será se alguma vez teve democracia entre candidatos, qual candidato nunca desrespeitou seu oponente? é o velho jogo de quanto mais detonar, mais votos ganha. Mas você um cidadão candidato a representante de uma nação usar esse velho método arcaico de querer ficar admirado, degolando seu concorrente isso é um ato imaturo e fere os princípios éticos de um cidadão.

    Não me considero "um analfabeto político" como diz Bertolt Brecht e nem me norteio a um simples "consciente político" como citou o honorável primo Hiago Jácome, sou simplesmente um eterno aprendiz político na qual nunca ei de me conformar com isso, a busca pelo crescimento social e psicossocial entre uma nação, onde me faz crer que a política pode ser sim ótima de ser discutida e admirada basta alguém ou todos darem suas contribuições a partir do significado de ser um cidadão que busca por princípios e quer ser sempre um aprendiz político. Este ano escolhi minha candidata ao pleito eleitoral do meu município tenho em mente o melhor para minha cidade acreditando que minha escolha está baseada em ser um aprendiz político.

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  2. Desculpa a falta de identificação.

    THYAGO JÁCOME- ACADÊMICO 3º PERÍODO DO CURSO DE ENFERMAGEM- UNIVERSIDADE POTIGUAR (UNP), CAMPUS MOSSORÓ e EDITOR DO BLOG TJOM ENTRETENIMENTO.

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